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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Fenaban deve apresentar proposta global no dia 19

No encerramento da quarta rodada de negociação da Campanha 2014 com a Fenaban, o Comando Nacional dos Bancários defendeu nesta quinta-feira 11 a reivindicação de PLR equivalente a três salários mais parcela adicional de R$ 6.247,26, o que significa uma mudança na fórmula de cálculo do modelo atual, que simplifica e recompensa de forma mais justa para os trabalhadores o aumento dos lucros dos bancos. A exemplo do que ocorreu nas rodadas anteriores, os negociadores da Fenaban disseram que vão discutir o tema com os presidentes dos bancos e o incluirão na proposta global que apresentarão ao Comando na próxima semana, provavelmente na sexta-feira 19.



Antes disso, serão realizadas mais duas rodadas de negociação. Na terça-feira 16, os bancos apresentarão o resultado do II Censo da Diversidade, realizado entre 17 de março e 9 de maio deste ano, seguido da discussão dos dados solicitados pela Contraf-CUT sobre os afastamentos de bancários no trabalho. E na quarta-feira 17 serão retomados os debates dos temas pendentes sobre saúde e condições de trabalho, emprego, segurança bancária e igualdade de oportunidades. 

O II Censo da Diversidade foi uma conquista dos bancários na Campanha Nacional 2012. Ele agora permitirá verificar o que mudou e o que não avançou em termos de igualdade de oportunidades para os bancários e as bancárias desde 2008, quando foi realizado o I Censo.

"Esperamos que essas novas rodadas tragam novos dados e informações para a categoria e que finalmente os bancos apresentem uma proposta concreta e decente para as reivindicações econômicas e sociais que foram aprofundadas na mesas de negociações", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.

Participação mais justa nos lucros


Na mesa de negociação desta quinta-feira, o Comando Nacional defendeu a reivindicação de um novo modelo de PLR (três salários de cada bancário mais valor fixo de R$ 6.247,26) por considerar que a atual fórmula é muito complexa, pouco transparente e não remunera os bancários de forma adequada. A PLR foi uma conquista da campanha de 1995.

"O lucro dos bancos cresceu tanto que o modelo atual da PLR não acompanhou a distribuição desse lucro. O crescimento da PLR dos caixas, por exemplo, foi em média de 338% entre 1995 e 2013, enquanto o lucro dos bancos aumentou 1.067% nesse período. Queremos aumentar o percentual a ser distribuído e indexar a PLR à evolução do lucro", destaca Cordeiro.

"Além disso, é preciso simplificar o atual modelo, que é muito complexo e difícil de ser entendido pelos bancários", acrescenta Cordeiro.

O Comando propôs ainda que o pagamento da PLR não deve ser compensado com os programas próprios de remuneração variável dos bancos.

Os negociadores da Fenaban defenderam o atual modelo de PLR, mas disseram que a reivindicação dos bancários será levada aos presidentes dos bancos e trarão a resposta junto com a proposta global que apresentarão ao Comando, provavelmente na sexta-feira que vem, 19.

Dia Nacional de Luta

Na próxima segunda-feira 15, o Comando orienta os sindicatos e federações a realizarem um dia nacional de luta, conforme deliberação da 16ª Conferência Nacional dos Bancários, ocorrida de 25 a 27 de julho em Atibaia (SP), buscando pressionar os bancos a atender a pauta de reivindicações da categoria.

"Vamos realizar protestos em defesa do emprego, contra os projetos de terceirização, pelo fim das metas abusivas e do assédio moral, por mais segurança para trabalhadores e clientes, e por igualdade de oportunidades", salienta Cordeiro. "Trata-se um momento oportuno também para mostrar que não queremos a independência do Banco Central, pois só favorece aos bancos e é prejudicial para a sociedade brasileira", conclui.

Calendário

15 - Dia Nacional de Luta.
16 - Quinta rodada de negociação com a Fenaban
17 - Sexta rodada de negociação com a Fenaban
19 - Sétima rodada de negociação com a Fenaban (a ser confirmada)
 
Fonte: Contraf/CUT com edição da Fetrafi-RS

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Bancos negam que haja demissões e defendem terceirização sem limites

Na abertura da terceira rodada de negociações da Campanha 2014 com a Fenaban, realizada nesta quarta-feira 3 em São Paulo, o Comando Nacional dos Bancários apresentou os números dos estudos do Dieese e fez uma discussão conceitual sobre emprego e terceirização na categoria. Os bancos questionaram os dados sobre fechamento de postos de trabalho e defenderam a regulamentação da terceirização de forma ampla, coincidentemente com o mesmo enfoque apresentado pelo programa econômico da candidata Marina Silva. As discussões prosseguem nesta quinta-feira 4, primeiro sobre emprego e depois sobre remuneração.

O Comando apresentou o estudo do Dieese com base na Rais do Ministério do Trabalho, mostrando que os bancos privados fecharam 18.023 postos de trabalho em 2013. E que outros 3.600 empregos foram cortados de janeiro a julho de 2014, segundo a Pesquisa de Emprego Bancário (PEB) que a Contraf-CUT faz desde 2009 em parceria com o Dieese com base nos dados do Caged.

O comportamento do sistema financeiro vai na contramão dos outros setores da economia, que são menos rentáveis e nesse mesmo período criaram 1,75 milhão de postos de trabalho, contribuindo para que o Brasil tenha o menor nível de desemprego da história.

O Comando também criticou a rotatividade no sistema financeiro. Além do fechamento dos postos de trabalho, segundo a pesquisa Contraf-CUT/Dieese os bancos privados desligaram 66.567 trabalhadores entre janeiro de 2013 e julho de 2014. "Essa rotatividade faz parte do negócio do sistema financeiro e é um mecanismo para reduzir salário e aumentar lucros", diz Carlos Cordeiro.

Os representantes dos bancos negaram que haja demissões em massa no sistema, alegando que há apenas ajustes pontuais e que o Comando Nacional "está torturando os números". E disseram ironicamente que a diferença de 63,3% entre a média salarial dos admitidos e desligados é uma "boa notícia" porque mostra que os bancários ficam bastante tempo no emprego e têm progressão salarial na carreira.

Terceirização


O Comando também apresentou a Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (Pnad/IBGE) de 2002 segundo a qual havia naquele ano 586.765 trabalhadores no sistema financeiro. Já em 2011, a mesma pesquisa mostrou que esse número saltou para 1,004 milhão. No entanto, apenas 512 mil bancários eram formalmente contratados pelos bancos em 2012, sob a proteção da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria.

"Ou seja, para cada bancário formal existe pelo menos outro informal trabalhando no sistema financeiro, recebendo salários inferiores, cumprindo jornadas de trabalho maiores e sem os mesmos direitos da categoria, aumentando os lucros bilionários dos bancos", afirma Miguel Pereira, secretário de Organização da Contraf-CUT.

Entre 1999 e 2013, as instituições financeiras aumentaram 319% as despesas com trabalhadores terceirizados, tendência que vem se acelerando nos últimos anos, segundo Relatório Social da Febraban.

Se considerarmos os diversos tipos de correspondentes bancários (banco postal, lotéricos, pastinhas, SUPERMERCADOS, drogarias etc.), esses números poderiam ser exponencialmente multiplicados.

Outro fator que dificulta o mapeamento adequado do número de trabalhadores terceirizados é que os bancos contratam empresas para realização do mesmo tipo de serviço que são classificados em múltiplas CNAES (Classificação Nacional de Atividades Econômicas). Por isso certamente o número de trabalhadores terceirizados prestando serviços aos bancos é muito maior.

Quanto a isso a Fenaban informou novamente que também não tem os números exatos porque isso fica a cargo de cada empresa. "Porém, ao analisarmos os dados dos balanços dos bancos não encontramos essas informações", afirma Carlos Cordeiro.

Risco operacional


Daí decorre outro problema sério, com previsão inclusive pela Resolução 3380/2006 do Bacen, que estabelece normas de previsão para o risco operacional, em decorrência dos contratos de terceiros. "Mas como todos dizem que ninguém tem essas informações de forma precisa, o que justificaria a aplicação dos termos da resolução, a palavra está com o Banco Central", acrescenta Cordeiro.

Essa ameaça se agrava com a tentativa do setor empresarial, tendo os bancos à frente, de legalizar a terceirização total no Brasil com a aprovação do PL 4330 na Câmara Federal, do PLS 087 no Senado e do julgamento de Recurso Extraordinário com Repercussão Geral no STF. "Por último, é extremamente preocupante o fato de o programa econômico da candidata Marina Silva incorporar expressamente o compromisso de regulamentar a terceirização precarizante em todos os setores da economia", adverte Miguel Pereira.

Mesmo com as ameaças mencionadas, o debate precisa ser retomado com os bancos, uma vez que um grande processo de terceirização das atividades bancárias, ligadas ao processamento de documentos, retaguarda bancaria, contabilização, tesouraria. Na verdade, não se trata de terceirização e sim intermediação ilegal de mão de obra. E o vínculo de emprego deve ser estabelecido diretamente com o banco contratante ou no caso dos bancos públicos devem ser pagas as indenizações como se bancários fossem.

Os negociadores da Fenaban defenderam a regulamentação já e total das terceirizações, o que coincide com a proposta da candidata Marina Silva apresentada no dia 29 de agosto último.

Problemas nos dados de afastamento de bancários

Ao final da negociação, o Comando cobrou esclarecimentos dos bancos acerca dos dados encaminhados pela Fenaban sobre o afastamento de bancários por motivos de saúde. Segundo análise do Dieese, há grandes diferenças entre os números enviados para a Contraf-CUT. Os bancos ficaram de verificar as divergências apontadas.

Calendário de negociações


4 - Terceira rodada de negociação com a Fenaban
10 e 11 - Quarta rodada de negociação com a Fenaban

Fonte: Contraf/CUT com edição da Fetrafi-RS

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Banco do Brasil: Lucro é construído às custas do adoecimento dos funcionários

Lucro de mais de R$10 bilhões do BB é construído às custas do adoecimento dos funcionários.
 
O Banco do Brasil, maior instituição financeira da América Latina, teve o maior lucro líquido da história dos bancos no país, com ganhos de R$ 10,03 bilhões no primeiro semestre. Com isso, o BB supera o Itaú Unibanco entre os maiores lucros de bancos privados no país.
 
O lucro de R$ 7,2 bilhões do Itaú Unibanco no primeiro semestre é, agora, o segundo maior entre os bancos do país.
 
Nos últimos quatro anos, o Itaú ocupou o topo do ranking dos maiores lucros da história dos bancos brasileiros no primeiro semestre.
 
O lucro do BB foi puxado pelo forte resultado do segundo trimestre, quando registrou lucro líquido de R$ 7,47 bilhões, cerca de duas vezes e meia acima do resultado positivo obtido um ano antes. Nos primeiros três meses de 2013, o banco teve lucro líquido de R$ 2,56 milhões. 
 
Avaliação

A partir dos dados divulgados, o diretor do SindBancários, Julio Vivian, critica a postura do BB tanto do ponto de vista da contrapartida que, com um lucro deste patamar, não tem moral para negar as reivindicações dos funcionários, quanto do ponto de vista da própria construção do resultado, que foi fruto do esforço e do adoecimento dos bancários.
 
"Está na hora de o BB cumprir seu papel de banco público e deixar de buscar o lucro acima de tudo. O banco deve começar a fomentar o desenvolvimento sustentável e tratar seus funcionários, clientes e população em geral, com mais respeito e ética. Até porque um lucro destes não deve ser construído com o adoecimento e até da morte de seus funcionários, fruto do assédio, das metas inexequíveis e da cobrança por resultados cada vez maiores e impossíveis de alcançar sem o adoecimento dos bancários e o desrespeito aos clientes", avalia Julio Vivian.
 
Flávio Pastoriz, diretor do SindBancários e funcionário do Banco do Brasil, diz que como instituição pública, o Banco do Brasil deve exercer o papel de fomentador no desenvolvimento do país, pressionando a queda das taxas de juros, atuando como “regulador” no sistema financeiro e, ao mesmo tempo, atendendo as demandas dos setores produtivos a favor da sociedade. "Com o resultado desse primeiro semestre de 2013, o banco pode atender as justas reivindicações dos funcionários na campanha deste ano", assegurou.
 
Outros números
 
O indicador de inadimplência do Banco do Brasil, com dívidas maiores que três meses, caiu para o menor patamar em 11 anos, segundo o balanço do banco. A carteira de crédito ampliada encerrou junho em R$ 638,628 bilhões, expansão de 7,7% ante março e de 25,7% em 12 meses.
 
Os destaques do período foram as carteiras pessoa jurídica e de agronegócios, que registraram aumentos em 12 meses de 28,8% e 32,8%, respectivamente.
 
Ao final de junho, o BB ampliou sua liderança em crédito no sistema financeiro nacional, atingindo 20,8% de participação de mercado.
 
Os empréstimos destinados à pessoa física totalizaram R$ 161,550 bilhões no segundo trimestre, aumento de 15,9% em doze meses e de 3,3% sobre março, respondendo por 25,3% da carteira de crédito do banco.
 
Já os recursos destinados às pessoas jurídicas somaram R$ 300,142 bilhões, com elevação de 28,8% e 5,4%, respectivamente. Esse segmento responde por 47,0% da carteira de crédito total do BB.
 
As despesas com provisões para calotes cresceram 14,8% na comparação com o mesmo período de 2012, para R$ 4,22 bilhões. Segundo o banco, as provisões aumentaram devido ao aumento da carteira de crédito e do maior montante de recuperação de perdas no segundo trimestre.
 
 Fonte: SindBancários com informações UOL

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Especialista defende repensar organização do trabalho para proteger a saúde

A organização e o sentido do trabalho precisam ser repensados para que as metas abusivas e o assédio moral sejam combatidos. A avaliação é do professor Laerte Idal Sznelwar, do Departamento de Engenharia da Produção da Escola Politécnica da USP, em entrevista concedida para a Contraf-CUT. Ele é médico do trabalho, doutor em ergonomia e pós-doutor em psicodinâmica do trabalho.


A preocupação inicial demonstrada pelo especialista sobre as condições de trabalho dos bancários e as questões que envolvem a saúde e segurança teve como foco a organização do trabalho. Para ele, é preciso pensar nas escolhas feitas pelos bancos sobre o que é fundamental para o trabalhador. "O bancário realiza uma atividade repetitiva, com tarefas que não lhe permitem dar um sentido maior ao seu conteúdo", diz.

Segundo Laerte, o pouco tempo de maturação que este profissional possui quando ingressa no serviço bancário é o que dificulta o aprimoramento da atividade e um maior sentido a função. "Ao entrar no mercado de trabalho, as pessoas participam de um processo contínuo de aprendizado, o que normalmente não acontece aos bancários. O que se observa neste setor é um número grande de trabalhadores na linha de frente e pouco tempo para que desenvolvam suas habilidades. Essa forma de organização acarreta uma grande competição entre todos e piora ainda mais o ambiente de trabalho", ressalta.


Trabalho coletivo
 
O professor defende uma participação mais ampla do trabalhador com o processo de trabalho e maior envolvimento com as tarefas num âmbito coletivo, priorizando a equipe e não o indivíduo. "A forma como o trabalho bancário está organizado leva a situações das mais absurdas. Os trabalhadores são exigidos pelo cumprimento de uma série de atividades, mas ao mesmo tempo são tarefas esvaziadas. Além disso, o profissional precisa atuar com um sistema informatizado, muitas vezes com duas ou três plataformas e, por outro lado, não tem autonomia para acompanhar todo o processo, o que reduz seu poder de argumentação e decisão", enfatiza.

Para ele, a falta de conhecimento do bancário com todo o processo de seu trabalho contribui decisivamente para o aumento das fraudes. "É um grande paradoxo porque sabemos que problemas desta ordem acontecem em meio ao silêncio e ao distanciamento técnico da própria atividade que se realiza. Quanto mais experiências forem trocadas, mais possibilidades se têm de criar um ambiente saudável e, de fato, integrado e coletivo", afirma.

Laerte ressalta que a individualização da atividade é uma das consequências mais trágicas do neoliberalismo. "Quando se joga tudo para o indivíduo você destrói o sistema porque nossa força enquanto pessoa é relacionada aos outros. Conseguimos fazer melhores coisas quando há cooperação", diz.


Metas abusivas
 
Ele considera que as metas não levam em conta a realidade e a influência dos trabalhadores em todo o processo. "O problema das metas está em como ela é definida. As metas abusivas são impostas de cima para baixo e o trabalhador que faz o contato com o cliente, que realiza a negociação, praticamente não é ouvido. A empresa em muitos casos tem uma determinada estratégia e não considera outras dimensões do trabalho revestidas de diferentes realidades. Sabemos que quando atingimos a meta, a tendência é que ela aumente", explica.

Assédio
 
O especialista destaca também que o excesso de individualização permite que o assédio moral e sexual apareça. "É neste tipo de ambiente que se consegue assediar mais as pessoas. Elas não cooperam, por outro lado estão sozinhas. E o adoecimento, por sua vez, 'bate a porta' porque a pessoa está fragilizada. O isolamento, seja no escritório ou em qualquer outro ambiente, possibilita o assédio das mais diferentes formas", conclui.

 
Campanha Nacional dos Bancários
Preocupado com essa organização do trabalho, o adoecimento e os efeitos na saúde do trabalhador, o Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, realiza nesta quinta e sexta-feira, dias 8 e 9, a primeira rodada de negociação com a Fenaban, em São Paulo, focando as demandas sobre condições de trabalho.

Estarão na mesa o bloco de reivindicações que envolvem saúde, fim das metas abusivas, combate ao assédio moral e segurança bancária. "Queremos um emprego saudável e seguro, onde o bancário seja respeitado e valorizado no trabalho", salienta Walcir Previtale, secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT.


Fonte: Contraf-CUT