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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Bancos privados fecham 5,8 mil empregos e reduzem salário com rotatividade

Os bancos privados que operam no país fecharam 5.800 postos de trabalho nos primeiros sete meses de 2013, andando na contramão da economia brasileira, que gerou 907.214 novos empregos de janeiro a julho. Além disso, o sistema financeiro continua mantendo a política de alta rotatividade como mecanismo para reduzir custos e salários.

Esses são os principais resultados da 19ª Pesquisa de Emprego Bancário (PEB), divulgada nesta sexta-feira 23 pela Contraf-CUT, que faz o estudo em parceria com o Dieese com base nos dados dos Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), do Ministério do Trabalho.

"Mesmo aumentando os lucros e mantendo a mais alta rentabilidade do sistema financeiro internacional, os bancos brasileiros, principalmente os privados, continuam fechando postos de trabalho e utilizando a rotatividade para reduzir os salários dos trabalhadores", critica Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.

Segundo o Caged, os bancos brasileiros desligaram 25.996 bancários de janeiro a julho e contrataram apenas 23.579. Os bancos múltiplos, setor que abrange os bancos privados e o Banco do Brasil, cortaram 5.800 postos de trabalho. Como o BB manteve o quadro de funcionários estável, fica evidente que a eliminação de emprego se concentrou nas instituições privadas. A Caixa Econômica Federal apresentou saldo positivo de 3.156 empregos nos primeiros sete meses.

Veja abaixo quadro com os admitidos e contratados por setor e as respectivas remunerações médias.


Admitidos, desligados e diferença da remuneração média, por setor atividade econômica (*)
Brasil - Janeiro a Julho de 2013
Setor de atividade econômica
Admitidos
Desligados
Saldo
Diferença da Rem. Média (%)
Nº de trab.
Part. (%)
Rem. Média
(em R$)
Nº de trab.
Part. (%)
Rem. Média
(em R$)
Bancos comerciais
405
1,7%
3.738,18
367
1,4%
4.573,58
38
-18,3%
Bancos múltiplos, com carteira comercial
17.717
75,1%
3.043,73
23.517
90,5%
4.495,83
-5.800
-32,3%
Caixas econômicas
4.829
20,5%
2.079,95
1.673
6,4%
4.078,90
3.156
-49,0%
Bancos múltiplos, sem carteira comercial
540
2,3%
3.664,26
332
1,3%
6.653,77
208
-44,9%
Bancos de investimento
88
0,4%
7.397,28
107
0,4%
11.829,67
-19
-37,5%
Total
23.579
100,0%
2.888,74
25.996
100,0%
4.527,84
-2.417
-36,2%

Fonte: MTE/Caged. Elaboração: Dieese-Rede Bancários. (*) Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE)

Rotatividade reduz salário e concentra renda

A pesquisa Contraf-CUT/Dieese mostra que o salário médio dos admitidos pelos bancos no primeiro semestre foi de R$ 2.888,74, contra salário médio de R$ 4.527,84 dos desligados. Ou seja, os trabalhadores que entram no sistema financeiro recebem remuneração 37,5% inferior à dos que saem.

"Isso explica por que, embora com muita mobilização os bancários tenham conquistado 16,2% de aumento real no salário e 35,6% de ganho real no piso salarial desde 2004, a média salarial da categoria diminuiu neste período. Esse é o mais perverso mecanismo de concentração de renda, num país que faz um grande esforço para se tornar menos injusto", denuncia Carlos Cordeiro.

Segundo dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho e Emprego, o salário médio dos bancários em 2001, deflacionado pelo INPC, era de R$ 5.016,72. Em 2011 (último ano disponível pela Rais), o valor médio salarial do bancário caiu para R$ 4.743,59 - uma redução de 5,44% no poder de compra do salário.

Em contraste brutal com a perda salarial, o lucro líquido conjunto dos seis maiores bancos que atuam no país (BB, Itaú, Bradesco, Santander, Caixa Federal e HSBC) pulou de R$ 4,2 bilhões em 2001 para R$ 52,2 bilhões em 2011 - salto de 520,6%.

A evolução do PIB, do lucro líquido e da remuneração dos bancários

Houve nesta década uma grande concentração de renda no sistema financeiro.

Os 10% mais ricos no país, segundo estudo do Dieese com base no Censo de 2010, têm renda média mensal 39 vezes maior que a dos 10% mais pobres. Ou seja, um brasileiro que está na faixa mais pobre da população teria que reunir tudo o que ganha durante 3,3 anos para chegar à renda média mensal de um integrante do grupo mais rico.

No sistema financeiro a concentração de renda é ainda maior. No Banco Itaú, por exemplo, os executivos da Diretoria recebem em média R$ 9,05 milhões por ano, o que representa 234,27 vezes o que ganha o bancário do piso. No Santander, os diretores embolsam R$ 5,6 milhões, o que significa 145,64 vezes o salário do caixa. E no Bradesco, que paga R$ 5 milhões anuais a seus executivos, a diferença é de 129,57 vezes.

Ou seja, para ganhar a remuneração mensal de um executivo, o Caixa do Itaú tem que trabalhar 16 anos e o caixa do Bradesco 9 anos.

"A sociedade brasileira mostrou nas recentes manifestações de rua que quer mudança e certamente está de olho na prática dos bancos, de juros e tarifas escorchantes. Queremos transformar o crescimento em desenvolvimento econômico e social. Isso passa por melhoria de salário e mais emprego, o contrário do que os bancos estão fazendo", comenta Carlos Cordeiro.

Clique aqui para ver gráfico comparativo entre a evolução do PIB, do lucro líquido dos cinco maiores bancos e da remuneração média dos bancários. É a chamada "boca do jacaré".

Mulheres ganham menos na entrada e na saída

Apesar de constituírem hoje praticamente a metade da categoria bancária e de terem nível de escolaridade superior ao dos homens, a pesquisa Contraf-CUT/Dieese mostra que as mulheres continuam sendo discriminadas no sistema financeiro.

Quando são contratadas, as mulheres recebem salário médio de R$ 2.471,39, ou 25% a menos que os homens (R$ 3.287,43). E quando são desligadas, o salário médio das bancárias é 30% inferior ao dos bancários homens (R$ 3.703,62 contra R$ 5.325,12).

Veja abaixo a evolução do emprego por gênero.

Admitidos, desligados e remuneração média por gênero
Brasil - Janeiro a Julho de 2013
Gênero
Admitidos
Desligados
Saldo
Diferença da Rem. Média (%)
Nº de trab.
Part. (%)
Rem. Média
(em R$)
Nº de trab.
Part. (%)
Rem. Média
(em R$)
Masculino
12.059
51,1%
3.287,43
13.214
50,8%
5.325,12
-1.155
-38,3%
Feminino
11.520
48,9%
2.471,39
12.782
49,2%
3.703,62
-1.262
-33,3%
Total
23.579
100,0%
2.888,74
25.996
100,0%
4.527,84
-2.417
-36,2%
Fonte: MTE/CAGED
Elaboração: Dieese - Rede Bancários

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Bancos se comprometem a aumentar solução das reclamações de clientes

Os maiores bancos do país assumiram compromisso com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, de melhorar o atendimento aos clientes e de resolver, por acordos, tanto quanto possível, as demandas registradas pelos Procons integrados ao Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec).

A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 5, pela secretária nacional do Consumidor, Juliana Pereira, que coordena a pesquisa Projeto Indicadores Públicos de Defesa do Consumidor, iniciada em 2010. Feito anualmente, o trabalho está na terceira edição. Além de bancos, a avaliação atinge ainda empresas de telefonia e supermercados.

De acordo com Juliana Pereira, o projeto oferece ao mercado uma fonte valiosa de informação, que permite aos participantes identificar os problemas levados pelos consumidores aos Procons de todo país, bem como monitorar e avaliar as medidas que venham a ser adotadas para a melhoria dos produtos, serviços e atendimento ao consumidor.

Por esses critérios, o levantamento da Senacon detectou que das sete instituições financeiras participantes (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú, Santander, HSBC e Citibank), o HSBC foi a que registrou o menor número de demandas no ano passado, com redução de 13% na quantidade de atendimentos em relação a 2010, e o Citibank reduziu em 6,3% a quantidade de demandas.

De acordo com o levantamento, as soluções de demandas encaminhadas pelo Sindec em cartas de informações preliminares (CIP) mostram boa taxa de "resolutividade" das demandas bancárias, com destaque para o Itaú, que resolveu 85,5% das queixas recebidas em 2011. A pesquisa revela, sem quantificar, que os maiores avanços nesse tocante, em relação a 2010, foram obtidos pelo Citibank (9,2 pontos percentuais) e Santander (5,5 pontos percentuais).

O índice de resolutividade precisa melhorar, porém, nos bancos públicos, que tiveram taxas de 69,8% (Caixa) e 70,5% (BB) no ano passado. Em ofícios enviados à Senacon, a Caixa se comprometeu a promover uma melhora de resolução, indo a 71%, enquanto o BB disse que quer chegar aos 77%. O nível de resolução do Bradesco é 77%.

Quanto aos acordos em processos administrativos de reclamações, os melhores índices foram registrados pelos bancos privados, com destaque para o HSBC, que alcançou 69,6% de resoluções. A Caixa ficou com 51,3% e se compromete a melhorar para 55% neste ano, enquanto o BB promete sair de 50,9%, em 2011, para 65% de acordos nas reclamações fundamentadas neste ano.

A Senacon verificou que, entre os supermercados, o Pão de Açúcar apresentou a menor quantidade de atendimentos pelos Procons, em 2011, com redução de 4,7% em relação à quantidade de registros no ano anterior. O setor de telefonia também contabilizou melhora no relacionamento com o cliente, e a Vivo foi a que demandou menos os Procons, com redução de 7,2% no número de registros, comparado a 2010.
 
Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Emprego no setor bancário é 70% do total há duas décadas

O total de 508 mil empregos existentes hoje no setor bancário brasileiro, embora tenha crescido ao longo de toda a última década, representa apenas 69,4% do que o setor tinha em 1990. Os dados fazem parte de um estudo divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), durante a 14ª Conferência Nacional dos Bancários, encerrada no domingo (22) em Curitiba.
Em 1990, havia 732 mil bancários no país. Esse total caiu 46,3% até 1999, quando chegou a 393 mil vagas - uma redução de 339 mil postos de trabalho. Após uma oscilação positiva em 2000, o número voltou, em 2001, ao mesmo patamar de 393 mil vagas. "Durante a década de 1990, esse estoque [de empregos nos bancos] teve queda, especialmente devido ao processo de reestruturação produtiva que atingiu diversos setores da economia brasileira no período", diz o estudo do Dieese.

De 2002 a 2011, por dez anos consecutivos, o total de empregos em bancos apresentou um crescimento contínuo. As 508 mil vagas, registradas no final do primeiro trimestre, representam uma recuperação de 115 mil postos de trabalho em relação a 2001, um crescimento de 29,3% ao longo de pouco mais de uma década.

"A queda do número de empregos bancários, na década de 90, deve-se, principalmente, ao processo de terceirização de serviços, como os de tecnologia e vigilância, uma forma que os bancos encontraram para reduzir custos", disse à Agência Brasil o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Carlos Cordeiro. "Já a recuperação de parte dos postos de trabalho nos últimos anos deve-se também à pressão da sociedade, porque os clientes se deparam com poucos bancários nas agências."

Na última sexta-feira (20), o Dieese divulgou balanço segundo o qual o ritmo de abertura de vagas caiu 83,3% nos primeiros três meses de 2012 em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a março deste ano, o saldo positivo foi 1.144 vagas.

"Os postos criados este ano foram resultado da contratação de novos bancários pela Caixa Econômica Federal, que abriu 1.396 novos postos", afirma o Dieese. "Sem essa participação, o saldo do emprego bancário no período [primeiro trimestre de 2012] teria sido negativo."